
Para calcular a TMB, a equação de Mifflin-St Jeor usa peso, altura, idade e sexo: 10 x peso (kg) + 6,25 x altura (cm) – 5 x idade, somando 5 para homens ou subtraindo 161 para mulheres [1]. O resultado é uma estimativa, e não uma medida exata, porque as equações podem errar para mais ou para menos em cada pessoa [2].
Pontos principais
- A TMB é medida em jejum, com repouso físico e mental, em ambiente tranquilo e com temperatura controlada [7].
- A equação de Mifflin-St Jeor usa peso, altura, idade e sexo, e ficou mais próxima da medição em um estudo com pessoas com sobrepeso e obesidade [1][2].
- Nenhuma equação acerta para todo mundo: em bombeiros, em pessoas com sobrepeso e em adolescentes com obesidade, as estimativas se afastaram da medição [2][9][12].
- Para virar meta de calorias, a TMB entra numa conta com o nível de atividade física, que é a razão entre o gasto energético e a TMB de 24 horas [7].
O que é TMB e por que ela importa
Você já viu a sigla TMB em um aplicativo de dieta, numa avaliação física ou numa conversa na academia? Mas, afinal, o que é taxa metabólica basal? Como calcular a sua e o que fazer com o número que aparece?
Neste artigo, você vai entender a fórmula mais usada, acompanhar um exemplo com as contas feitas e conhecer os limites desse cálculo.
A TMB é a energia que o corpo precisa para manter as funções vitais. Em laboratório, ela é medida em jejum, com repouso físico e mental, num ambiente tranquilo e com temperatura controlada [7]. Ou seja, é o gasto de quem está parado, sem digerir e sem se mexer.
Por isso, a TMB não mostra o gasto do seu dia inteiro. Ela é só um ponto de partida, e mais adiante você vê como ela se relaciona com o nível de atividade física.
A fórmula de Mifflin-St Jeor passo a passo
Existem várias equações para estimar a TMB. A de Mifflin-St Jeor leva em conta quatro dados que você já sabe: peso, altura, idade e sexo.
- Homens: 10 x peso (kg) + 6,25 x altura (cm) – 5 x idade (anos) + 5 [1].
- Mulheres: 10 x peso (kg) + 6,25 x altura (cm) – 5 x idade (anos) – 161 [1].
O resultado vem em quilocalorias por dia (kcal/dia). Para fazer a conta, siga a ordem: multiplique peso, altura e idade pelos seus fatores, some e subtraia os valores e, por fim, ajuste pelo sexo.
Como ela se sai na prática? Em um trabalho com pessoas com sobrepeso e obesidade, a Mifflin-St Jeor ficou mais perto da medição do que a Harris-Benedict [2].
Exemplo prático com as contas
Veja dois exemplos fictícios, só para você treinar a conta.
Mulher de 35 anos, 65 kg e 165 cm: 10 x 65 = 650; 6,25 x 165 = 1.031,25; 5 x 35 = 175. Então 650 + 1.031,25 – 175 – 161 = 1.345,25. A TMB estimada fica em cerca de 1.345 kcal por dia [1].
Homem de 30 anos, 80 kg e 178 cm: 10 x 80 = 800; 6,25 x 178 = 1.112,5; 5 x 30 = 150. Então 800 + 1.112,5 – 150 + 5 = 1.767,5. A TMB estimada fica em cerca de 1.768 kcal por dia [1].
Repare que esses números não dizem quanto cada pessoa deve comer. Eles só indicam o gasto estimado em repouso, sem contar o dia a dia nem o treino.
Harris-Benedict e outras equações: qual é a mais precisa?
Existe também a equação de Harris-Benedict, que aparece em vários dos estudos citados aqui [1][2]. Então qual escolher?
Depende de quem é medido. Em pessoas com sobrepeso e obesidade, a média medida foi de 1.581 kcal por dia, enquanto a Mifflin-St Jeor estimou 1.690 kcal e a Harris-Benedict, 1.788 kcal [2]. Nesse mesmo estudo, 50,4% das estimativas da Mifflin-St Jeor ficaram dentro de 10% da medição, contra 36,8% da Harris-Benedict [2].
Já entre bombeiros, a Harris-Benedict foi a que teve melhor concordância com a TMR medida [9]. Há ainda uma revisão sistemática com metanálise que avaliou a acurácia dessas equações em atletas [5].
Ou seja, não existe uma vencedora para todo mundo. Uma opção prática é usar a Mifflin-St Jeor como ponto de partida, sabendo que o resultado é uma aproximação.
O que a equação não enxerga
As equações simples só usam peso, altura, idade e sexo. Elas não separam músculo de gordura, e esse é um dos pontos em que o resultado pode se afastar do seu caso real.
Por isso, duas pessoas com os mesmos dados na fórmula podem ter corpos e rotinas bem diferentes. Se você quer entender melhor o papel da musculatura ao longo da vida, leia sobre os benefícios do treinamento de força em idosos.
Da TMB ao gasto total: o fator de atividade
A TMB sozinha não representa o seu dia. Para chegar ao gasto total, os profissionais costumam usar o nível de atividade física, que é a razão entre o gasto energético e a TMB de 24 horas [7].
O valor desse fator muda conforme a rotina. Escolher o fator certo para o seu caso (trabalho sentado, treino de quatro vezes por semana, trabalho braçal) é um trabalho para o nutricionista, já que um número fora da realidade desloca todo o resto.
Se você quer transformar isso em plano alimentar, leia também como calcular as calorias em uma dieta para ganho de massa muscular. Para entender o que o relógio e a pulseira informam sobre gasto, veja monitores de frequência cardíaca e gasto energético.
Limites do cálculo e quando procurar um profissional
As equações podem errar nos dois sentidos. Em pessoas com sobrepeso e obesidade, a Mifflin-St Jeor estimou 1.690 kcal por dia, contra 1.581 kcal medidas [2]. Em bombeiros, cinco de seis equações subestimaram a TMR, com desvio de aproximadamente 160 a 380 kcal por dia [9].
Em adolescentes com sobrepeso e obesidade, um estudo brasileiro concluiu que as equações testadas não eram adequadas [12].
Por isso, trate o resultado como ponto de partida e observe como o seu corpo responde ao longo das semanas. Procure um nutricionista ou médico se você tem diabetes, doença renal, tireoide alterada, está grávida, é adolescente, é atleta ou tem histórico de transtorno alimentar. A calorimetria indireta continua sendo o padrão de referência para medir a taxa [2].
Outros textos do blog ajudam a colocar o resultado em prática: veja por que pesar os alimentos e leia sobre a frequência das refeições e o metabolismo.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre TMB e gasto calórico total?
A TMB é o gasto de energia de quem está em repouso, medido em condições padrão [7]. O gasto total leva em conta também o nível de atividade física, que é a razão entre o gasto energético e a TMB de 24 horas [7]. Por isso, o gasto total costuma ser maior que a TMB.
Qual fórmula é melhor para calcular a TMB?
Não há uma única melhor. A Mifflin-St Jeor ficou mais próxima da medição em estudo com pessoas com sobrepeso e obesidade [2], mas a Harris-Benedict se saiu melhor em outro grupo, o de bombeiros [9].
A calculadora online de TMB é confiável?
Ela dá uma estimativa útil para começar, mas pode errar para mais ou para menos, como mostraram estudos com pessoas com sobrepeso e obesidade e com bombeiros [2][9]. Para um plano individual, procure um nutricionista.
Leia também
- benefícios do treinamento de força em idosos
- como calcular as calorias em uma dieta para ganho de massa muscular
- monitores de frequência cardíaca e gasto energético
- por que pesar os alimentos
- a frequência das refeições e o metabolismo
Fontes
- Estimativa do gasto energético basal em transplantados de fígado: o valor da equação de Harris-Benedict (ABCD Arq Bras Cir Dig, 2016) (2016)
- Comparative analysis of basal metabolic rate measurement methods in overweight and obese individuals: A retrospective study
- Accuracy of Resting Metabolic Rate Prediction Equations in Athletes: A Systematic Review with Meta-analysis
- Aspectos históricos e metodológicos da medição e estimativa da taxa metabólica basal: uma revisão da literatura (Cad Saúde Pública)
- Resting Metabolic Rate Prediction Equation Accuracy in Structural Firefighters
- As equações de predição da taxa metabólica basal são apropriadas para adolescentes com sobrepeso e obesidade? (SciELO Brasil)
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