Frutose é um problema na dieta?

Muitos indivíduos deixam de ingerir frutas, pois associam a frutose a diversas desordens, como obesidade, resistência à insulina e outras características relacionadas à síndrome metabólica. Na verdade, a maior parte das frutas tem pouca frutose e muitas ainda possuem baixa caloria. Frutas têm fibras solúveis, que ajudam a retardar a absorção do açúcar e a forma física e estrutura celular da fruta inteira provavelmente têm um efeito maior, ao sequestrar o açúcar da superfície do intestino delgado. As frutas também possuem micronutrientes e antioxidantes que podem auxiliar contra a inflamação hepática e a resistência à insulina. Sendo assim, excelentes alimentos em uma dieta , mesmo em dietas mais restritas em carboidratos.

A frutose é um monossacarídeo e combinada com a glicose forma a sacarose (açúcar), um dissacarídeo que compõe cerca de 10% das calorias contidas em dietas ocidentais (+- 55g/dia). Ela é primariamente metabolizada no fígado, sua rápida entrada no hepatócito é mediada também pela GLUT2 , não havendo gasto energético ou necessidade de estímulo pela insulina. As vias de metabolismo da glicose e da frutose convergem para dois compostos: di-hidroxiacetona fosfato (DHAP) e gliceraldeído. A diferença entre o processamento desses açúcares ocorre nas etapas inicias do metabolismo, pois o metabolismo da frutose é mais rápido que o da glicose. Através das vias da DHAP e gliceraldeído, frutose e a glicose podem ser convertidas em glicose, glicogênio ou sintetizam triacilgliceróis.

Mas o que determina o destino desses intermediários é o estado energético e nutricional do organismo. Em uma dieta pobre em carboidratos, baixos níveis de insulina aumentam a lipólise e oxidação de gorduras, e também aumentam a gliconeogênese.
Os efeitos de se comparar frutose e glicose nos níveis de triacilgliceróis fazem sentido, desde que isso seja no contexto de uma dieta rica em carboidratos, já que a velocidade e regulação de ambas as vias é diferenciada, apesar de convergirem a um mesmo ponto, as trioses fosfato DHAP e gliceraldeído.

O consumo de frutas, mesmo em grande quantidade dificilmente prejudicaria a composição corporal de um indivíduo que treina em alta intensidade e que cuida de sua alimentação. Outro ponto é que o consumo de frutas auxilia a manter a adesão à dieta, fazendo com que o indivíduo não sinta tanta vontade de doces e consiga manter-se em dieta por mais tempo.

 

Referências

Dudu Haluch, Nutrição no fisiculturismo, 2018.

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