Dieta Cetogênica

A dieta cetogênica é uma dieta onde a quantidade de carboidratos é muito baixa e a quantidade de gorduras é alta, mas a divisão de macronutrientes dessa dieta vai muito além de apenas consumir pouco e/ou não consumir carboidratos.

Ela possui boa aplicabilidade em indivíduos com epilepsia refrataria (que não reagem bem a medicação), especialmente em crianças. Essa é a maior comprovação científica que temos da dieta cetogênica.

Existem algumas divisões de dieta cetogênica, mas a mais utilizada nos estudos com epilepsia é a cetogênica clássica (80-90% gordura, 6-10% proteína e 4-5% carboidrato). Porém esse modelo tem um baixo nível de palatabilidade, o que dificulta a adesão por meio do paciente.

Outros modelos de deita cetogênica são:

  • MCT KD: 73% gordura (KD ketogenic diet – MCT médium chain triglyceride) (30-60% MCT), 10% proteína e 17% carboidrato;
  • LGIT (low glycaemic index treatment: 60% gordura, 30% proteína e 10% carboidrato;
  • MAD/MKT (~1:1 ratio) MAD – modified Atkins diets MKT – modified Ketogenic therapy 65% gordura, 35% proteína e 5% carboidrato.

Alguns defensores da dieta cetogênica afirmam que a restrição de carboidratos irá reduzir os níveis de insulina (que na visão dessas pessoas é o hormônio responsável por bloquear a queima de gordura e gerar inflamação) e isso irá permitir/potencializar o emagrecimento.

Apesar de a insulina ser um hormônio lipogênico, para que ocorra síntese de gordura é necessário que haja substrato disponível, logo, se o indivíduo estiver em déficit calórico, ela irá emagrecer mesmo consumindo uma grande quantidade de carboidratos na dieta.

Na prática clínica a dieta cetogênica mais comum é a com a seguinte divisão: 70-75% de gorduras, 20-25% de proteínas e 5% de carboidratos. Essa divisão de macronutrientes precisa da dieta cetogênica é essencial para que o indivíduo entre em estado de cetose nutricional, que é quando o nosso corpo aumenta a produção de corpos cetônicos (beta-hidroxibutirato, acetoacetato e a acetona).

 

DIETA CETOGÊNICA QUEIMA MAIS GORDURA?

A dieta cetogênica aumenta de maneira significativa a oxidação de gorduras, mas a maior parte dessa oxidação é das gorduras que estão sendo consumidas na dieta. Como está sendo consumida uma alta quantidade de gordura, ocorre uma alta oxidação dessas gorduras.

É importante deixar claro que a perda de gordura/peso na dieta cetogênica não é superior a outros modelos de dieta como low fat ou low carb quando a quantidade de calorias é a mesma.

 

COMO SABER SE ESTOU EM CETOSE?

As maneiras de verificar se o indivíduo está em cetose são através da urina, da respiração e do sangue por aparelhos específicos.

No teste de respiração, o indivíduo respira por um aparelho específico que mede a quantidade de acetona expirada através da respiração, mas as maneiras mais eficazes para saber se o indivíduo está em cetose nutricional são através da medição de acetoacetato urina e da medicação de beta-hidroxibutirato na corrente sanguínea.

Em adultos, de forma geral, a literatura mostra uma média de 2 a 10 dias para que a concentração de corpos cetônicos aumente de maneira significativa em resposta a dieta cetogênica menos agressiva (70-75% de gorduras). A literatura mostra que crianças possuem uma maior capacidade para formação de corpos cetônicos e entram em cetose mais rapidamente.

 

DIETA CETOGÊNICA E DESEMPENHO ESPORTIVO

Em relação ao desempenho esportivo, a grande maioria dos estudos mostra piora do desempenho com a dieta cetogênica.  Essa redução do desempenho se dá pelos baixos estoques do glicogênio muscular, estoques estes que são altamente utilizados para a produção de energia durante o exercício.

Alguns indivíduos afirmam que para evitar a perda de desempenho com a dieta cetogênica seria necessário um tempo para ceto-adaptação, que seria a adaptação do organismo à dieta cetogênica, diminuindo seus colaterais e potencializando os seus benefícios.

O indivíduo já adaptado à dieta cetogênica teria uma maior capacidade de produção, transporte e oxidação dos copos cetônicos, um aumento significativo das enzimas relacionadas à oxidação de gorduras e corpos cetônicos e uma maior biogênese mitocondrial. Essa ceto-adaptação levaria de 4-12 semanas. Coincidentemente, a maioria dos estudos com a dieta cetogênica que não mostram prejuízos no desempenho possuem maior duração, algo acima de 6-8 semanas.

Caso o indivíduo decida iniciar na dieta cetogênica, é interessante ir reduzindo aos poucos a quantidade de carboidratos, para facilitar a adesão e para que ele vá se acostumando aos poucos a esse estilo de dieta.

Finalizando, a dieta cetogênica é mais um estilo de dieta à disposição do nutricionista para que o mesmo a utilize em pacientes que possuem boa adesão a ela.

 

REFERÊNCIAS

E-book Aplicabilidade de dietas: da teoria à prática, Felipe Almeida e Matheus Silvestre, 2021

Wyllian Oliveira
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Wyllian Oliveira

Educador Físico Graduando em Nutrição

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