Comparação entre exercício físico e medicamentos anti-hipertensivos na redução da pressão arterial sistólica

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A pressão arterial sistólica (PAS) elevada é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, que por sua vez levam a óbito milhões de pessoas todo ano no mundo.

Diante disso, muitos são os estudos buscando formas de tratamento para redução da PAS elevada. Os medicamentos são os itens mais estudados e eles de fato são eficazes para diminuir a PAS, porém geram altos custos. Em países europeus, por exemplo, o gasto com medicamentos chega a 18% dos gastos totais com saúde (2018).

Uma opção com menor custo seria a pratica de exercícios físicos. O exercício físico reduz os níveis de pressão arterial, além de trazer muitos benefícios para a saúde cardiovascular. Homens e mulheres com altos níveis de atividade física (AF) possuem 24 e 27% de menores chances de ter doenças cardiovasculares, respectivamente, que homens mulheres com baixo nível de AF.

Em um recente estudo, Gonela e colaboradores (2020) avaliaram benefícios da musculação em idosos com diabetes mellitus tipo 2. Após período de treinamento com pesos, verificou-se redução significativa da pressão arterial sistólica e diastólica, tanto em repouso quanto após o esforço.

Mas o que seria melhor para reduzir a PAS, medicamentos ou o exercício físico?

A revisão de NACI e colaboradores (2018) analisou exatamente isso. Os pesquisadores avaliaram a redução da PAS com exercícios separados por: exercícios de resistência, resistência dinâmica, resistência isométrica e uma combinação de resistência e resistência dinâmica. A intensidade das intervenções do exercício foi categorizada em baixa, moderada e alta.

Os medicamentos individuais foram categorizados nas seguintes classes de medicamentos anti-hipertensivos: inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA-I), bloqueadores dos receptores da angiotensina-2, bloqueadores dos canais de cálcio (CCBs) e diuréticos bloqueadores dos canais de cálcio. Os medicamentos também foram divididos em doses baixas e altas de acordo com o British National Formulary (BNF).

Ao final da revisão, foi concluído que medicamentos anti-hipertensivos e intervenções com o exercício foram ficazes na redução da PAS. As populações que receberam medicamentos alcançaram maior redução na PAS em comparação com os participantes de atividades físicas. No entando, diferentes tipos de intervenções com exercícios pareciam ser tão eficaz quanto à maioria dos medicamentos anti-hipertensivos quando as análises foram limitadas a pesquisas em populações com alta PAS. A eficácia do exercício aumentou à medida que maiores pontos de corte da PAS para definir hipertensão foram adotados.

Como os pesquisadores não encontraram nenhum estudo que comparasse diretamente os efeitos do exercício físico e dos medicamentos na redução da PAS e a grande maioria dos ensaios com exercício contarem com a participação de pessoas saudáveis, são necessários mais estudos para futuras abordagens.

Mas destacam-se os benefícios do exercício físico na redução da PAS, podendo ser um grande auxiliar no tratamento juntamente com medicamentos em indivíduos hipertensos.

 

Referências:

GONELA J, T, et. al. Treinamento Resistido Melhora a Pressão Arterial e o Desempenho Funcional de Pessoas com DM2. Rev Bras Med Esporte. 2020
|NACI H, et al. How does exercise treatment compare with antihypertensive medications? A network meta-analysis of 391 randomised controlled trials assessing exercise and medication effects on systolic blood pressure. Br J Sports. Med 2018

Wyllian Oliveira
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Wyllian Oliveira

Educador Físico Graduando em Nutrição

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